Prólogo

Quando desembarquei do onibus e mergulhei na multidão esbaforida formada por pessoas apressadas que saiam e entravam na pequena rodoviária de concreto, um mausoléu sujo, feio e frio, eu fiquei duplamente decepcionado. Desde que decidi retornar a Santos, depois de duas décadas vivendo longe, esperava reconhecer muitas coisas e ser reconhecido por algumas delas. Entretanto, ao me postar junto a enferrujada e opressora grade que circundava a Praça dos Andradas, rápido eu me dei conta que tinha hegado a um outro lugar, aquele que deixara vinte anos antes já não existia mais, eu não reconhecia e nem me sentia reconhecido por nada. Resoluto, não desisti e louco por rever um pedaço do passado, eu segui em direção a ele. O salão do Carioca estava repleto, os freqüentadores, a maioria funcionários da prefeitura ou dos Correios, aproveitavam o intervalo do café da tarde e, como de costume, falavam alto e riam de forma espontânea. ...