Milenarismo
Diz que o mundo vai se acabar.
Ressabiado, vesti uma beca de linho branco com boca larga, botei uma camisa encarnada, calcei alpercata de couro polido, pinguei umas gotas de patchouli por trás dos abanos e cheirando aos anos setenta me mandei pras quebradas, azogueado fui pr’um baticum de louvação.
O terreiro tava requisitado, só tinha entidade de presença. coisa muito da respeitosa. Os ebós eram de fartura e procedimento.
Lá pelas tantas, depois dos ogans saudarem seus deuses, o coco levantou a poeira.
Com flores nos cabelos, as moças passaram a esvoaçar suas saias rodadas transformando o terreiro num jardim de rosas sem espinhos.
Embriagado de ver tanta beleza e formosura, eu cai na roda e dancei feito um gira.
Passado outro tanto, perdido nesse roseiral me vi enganchado numa cigana com olhos de tigresa e lábios de mel, fiquei em torno dela parecendo um cometa desses que vai e que vem.
Quando a lua se descambava lá pra trás da serra, eu e minha cigana com olhos de tigresa tomamos o rumo da praia.
Diz que o mundo vai se acabar.
CABA NÃO, MUNDÃO!!
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