Pelada

 Cresci na vila São Jorge, entre Santos e São Vicente, por algum tempo ali foi o lugar que eu considerava um mundo, um vasto mundo pra minha pequena cabeça.

Das coisas que me vem à mente quando volto em recordações a esse mundo, jogar bola no meio da rua numa chuvosa tarde de verão é a mais prazerosa.

Nada melhor que você sentir as gotas da chuva lavando seu corpo suado e, melhor ainda, correr descalço sobre aquela rua de terra pontuada por poças encharcadas com um caldo morno. 

Também é muito bom lembrar o sorriso escancarado da molecada correndo atrás de uma surrada bola de capão deslizando arisca por entre as poças.  E ainda muito melhor, quando no time adversário joga de beque aquela garota que você está “super afins”, minha nossa, é sublime! 

Imagine a cena.

Lá pelas tantas, esgotado, você olha pro céu e deixa que a água da chuva escorra pelo rosto em gotas grossas de uma água fria e límpida, revitalizado, você avança em direção ao gol e, repentinamente, surge a sua frente a beque. 

Ela, assim como você, está ensopada, a camiseta branca dela, molhada e grudada ao corpo, deixa transparecer seus seios excitados, a bermuda colada nas coxas, definem suas curvas perfeitas. 

Num determinado momento ela fica entre você e o gol, você olha e corre carregando a bola em direção aos dois. 

Súbito, um arco-íris se abre, é ela que sorri um sorriso bonito olhando você nos olhos. Nesse instante, no mundo, somente existem você, ela e o gol. 

Você corre, a chuva cai em gotas grossas e frias, a bola avança arisca e encharcada, ela sorri pra você e....

Dane-se o gol!

Essas pequenas coisas nunca saem da minha cabeça e não me deixam esquecer daquele meu pequeno grande mundo.



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